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COM A PALAVRA, O ACADÊMICO DO MÊS: OSVALDO MARTINS FURTADO DE SOUZA PDF Imprimir E-mail
Osvaldo Martins F. de Souza
Dr. Osvaldo Martins
BONS TEMPOS DO COLÉGIO MARISTA

O Colégio Marista do Recife encerrou suas atividades – parece até propósito inusitado, segundo Hilton Duarte também ex-aluno como nós, no ano da santificação do Padre Marcelino Champagnat (1789-1840) fundador em 2 de janeiro de 1817, na França, do Instituto dos Pequenos Irmãos de Maria, posteriormente, transformado em Irmãos Maristas. Instituição que tinha como objetivo difundir o culto à Maria e ensinar a mocidade a jovens camponeses.

Há poucos dias, li o convite da nossa formatura realizada em 29 de novembro de 1937: missa cantada na Igreja de Santo Antônio, sessão solene no salão do Colégio constando dos discursos do orador da turma, Augusto Holanda, e do paraninfo, Sérgio Loreto Filho, apresentações do Orfeão sob a batuta do maestro Miguel Barkokebas e apresentação da Opereta “O escravo de Murilo”, de Rouquier.

Dos vinte e quatro bacharelandos formados, a maioria foi chamada pela “mais indesejável das visitas”, a qual, infelizmente, não conseguimos deixar de receber algum dia. Outros se dispersaram pelo mundo cumprindo o seu destino, e poucos, não passando de meia dúzia, “batiam o ponto” uma vez por ano, em almoço sempre em um mesmo hotel em Boa Viagem, não mais só confraternização, mas, de lembranças dos oito anos vividos naquele saudoso casarão da Avenida Conde da Boa Vista. Fazem parte deste grupo os remanescentes: Hilton Duarte (empresário), Rivadávia Barbosa (engenheiro-civil), Reginaldo Santiago (médico), Fernando Didier (tenente-aviador), José Valença (professor), Lindalvo Farias e Osvaldo Martins, ambos engenheiros-agrônomos.

Temos saudades dos nossos professores leigos: Clodoaldo Peixoto, Francisco Lopes Correia, Mário Medeiros, Arlindo Lima, Miguel Barkokebas, e do sargento Durval; dos irmãos maristas, Reginaldo, Pacômio, Estanislau, Eloy, Leão, Jerônimo, Jorge, Edgard e Cipriano. Suportaram, todos eles, as presepadas malucas de muitos dos nossos. Entrávamos pela Portaria, dobrávamos à esquerda, tomando o corredor de acesso às aulas, ou então, à direita, passando pela Capela, onde fazíamos uma pequena oração. Um ou outro passava pela sala de visitas, na qual existiam os quadros de formatura. O início e o fim das aulas, pela manhã e à tarde, eram anunciados pela sirene, ainda hoje audível em nossa lembrança.

Dos ex-alunos maristas que se destacaram nas suas vidas profissionais, podemos citar alguns: Luiz Pinto Ferreira, professor da Faculdade de Direito do Recife, José Leite Lopes, físico, Paulo Guerra, governador e senador de Pernambuco, Galdino Loreto, professor da Universidade Federal de Pernambuco, Nildo Nery, Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, José do Rego Maciel, Prefeito do Recife.

O vôlei era o esporte mais praticado durante os nove anos que passamos no Marista, destacando-se como bons jogadores, Albano, Francisco Xavier, Geraldo Paraíba, Fernando Didier, Guerra de Holanda, e este escrevinhador.

Ouvíamos Antônio Maria de Morais, o famoso locutor esportivo e compositor, rezar todos os dias antes da primeira aula da tarde: “Antônio Maria rogai por nós pecadores”. Certa vez, perguntado por um professor de História, quais os nomes de alguns presidentes dos Estados Unidos, acrescentava Antônio Maria os nomes dos atores de cinema, Buck Jones e James Stuart, e quando corrigido pelo professor, respondia terem eles sidos eleitos, mas, não empossados.

Saudades, ainda sentimos dos jogos de botão de mesa, quase todas as tardes, na sala de jantar da casa de Antônio Maria, na esquina da Rua Conde da Boa Vista com a Rua da União. Eram botões na sua maioria, retirados às escondidas de capas guardadas no guarda-roupa das nossas mamães, ou comprados dos presos da Casa de Detenção, confeccionados de chifre de boi, nem sempre baratos, mas, possíveis de serem adquiridos, através de inventadas cotas do Irmão Cotinha.

Bons tempos que não voltam mais e hoje relembramos com saudade e emoção.
 
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