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NAS BRUMAS DO TEMPO, PALAVRAS DO ENGENHEIRO AGRNOMO EUDES DE SOUZA LEAO PDF Imprimir E-mail

APRESENTAÇÃO

Dá-me o Aluno Laureado do Curso de Agronomia, Professor Catedrático, Professor Emérito e Doutor Honoris Causa da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Eudes de Souza Leão Pinto, a honrosa incumbência de apresentar a publicação “Nas Brumas do Tempo,

Palavras do Engenheiro Agrônomo Eudes de Souza Leão Pinto – Coletânea de Discursos - Tomo I”. A referida obra contém os dcurs  os proferidos na Escola Superior de Agricultura de Pernambuco e na Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, documento histórico de expressivo significado para o mundo agronômico de Pernambuco e do Brasil.

Feliz iniciativa de Conceição Martins, Bibliotecária da UFRPE e Sócia Benemérita desta Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, Mestre em Comunicação e Coordenadora do Núcleo do Conhecimento “Prof. João Baptista Oliveira dos Santos”, da Biblioteca Central daquela Universidade para, numa justa homenagem da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco, brindar o Professor Eudes de Souza Leão Pinto durante a celebração da passagem dos seus 90 anos de vida, associados aos 70 anos de pleno exercício da Profissão de Engenheiro Agrônomo.

Pesquisando, Conceição Martins dá início ao resgate de setenta anos de discursos que, agora, começam a ser compilados e digitalizados para que não se percam no tempo e no espaço, permitindo, assim, que venham a ser conhecidos pelas gerações atuais e futuras, representando a Memória Viva da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Agronomia Pernambucana.

Rememorando a história da nossa amizade, lembro que conheci Eudes de Souza Leão Pinto, ou simplesmente Eudes, quando fomos convocados pelo glorioso Exército Brasileiro por ocasião da 2ª Grande Guerra Mundial, na 7ª Região Militar, a qual estava com a missão de conter qualquer tentativa de invasão territorial do Brasil por invasores alemães. Prontamente, atendemos ao chamado da Pátria.

Eu, estudante de Agronomia, e ele, Professor de Genética Vegetal da Escola Superior de Agricultura de Pernambuco (ESAP), localizada no bairro de Dois Irmãos, na Cidade do Recife, Pernambuco. Convocados para servir ao Exército Brasileiro, fomos incluídos como soldados na II Companhia Independente de Guarda de Pernambuco, com sede na Fortaleza das Cinco

Pontas, situada, como ainda hoje ainda o é, no bairro de Santo Antônio, antiga Ilha de Antônio Vaz, na Cidade do Recife.

Naquela época, relembra Eudes: “enquanto se falava na aproximação dos submarinos alemães, de navios que poderiam desembarcar tropas em nosso litoral, nós, que fazíamos parte daquele Pelotão, na Companhia de Guarda, dormíamos fardados, como se diz, “desatacados”, tendo na cabeceira da cama o fuzil e o bornal com munição e, de vez em quando, por exercício que era feito, tocava o toque de despertar para levarmos as tralhas até onde estava sendo admitida, evidentemente, a presença dos alemães, e nós, soldados da Pátria, éramos os primeiros a levantar. Pegávamos o bornal, botávamos o fuzil no ombro e íamos para os caminhões”.

Era o ano de 1942. Tinha início ali uma amizade que perdura até hoje. Uma amizade que já ultrapassou os umbrais do tempo; são seis décadas entrelaçadas com mais oito anos de uma consagrada e dadivosa amizade, que muito me honra e envaidece. Sobre Eudes de Souza Leão Pinto, ou apenas Professor Eudes, ouvi certa vez um seu amigo dizer que ele é “uma instituição que sempre olha para o alto, muito e sempre contribuindo para os que mais precisam”. Acrescento: sem nunca ter sido político nem pertencido a nenhum partido. Tamanha e rica tem sido a sua vida profissional desempenhada emmúltiplos e diferentes setores, bastando apenas citar algumas das suas marcantes atuações: relevantes serviços prestados ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, ao Tribunal Superior de Justiça de Pernambuco e Associação Comercial de Pernambuco; atuante defensor vitorioso da Escola Superior de Agricultura de Lavras, Minas Gerais; Honra ao Mérito do Caxangá Clube e Rotary Clube; Medalha “Irmandade da Terra Santa de Nova Jerusalém e, dentro de mais alguns dias, em julho de 2010, será agraciado a nível nacional com a “Medalha de Mérito Apolônio Salles”, outorgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na passagem dos seus 150 anos de existência, em reconhecimento ao Professor Eudes pela sua destacada contribuição à agricultura brasileira.

São setenta anos do exercício da Profissão de Engenheiro Agrônomo. São palavras que representam a inteligência, a cultura, o senso crítico, a competência do Professor, do Homem Público, do Adesguiano, do Rotariano, enfim, do Acadêmico EUDES DE SOUZA LEÃO PINTO.

Essa é, pois, uma tarefa hercúlea. Certamente, aqueles que conhecem o autor sabem o quanto é fecunda a sua produção intelectual, podem imaginar o volume de escritos a serem resgatados. Conceição Martins, tal qual a Ariadne da Mitologia Grega, começou a desenrolar o fio que leva aos vários compartimentos do grande labirinto dessa produção intelectual. Assim é que, em tempo recorde, a nossa Ariadne moderna dialogou com o autor, convidando-o a participar dessa tarefa importantíssima. Buscou e encontrou grande parte dessa produção como integrante do acervo pessoal do Professor Eudes de Souza Leão Pinto.

Continuando a pesquisa, Conceição Martins foi desenrolando o fio, seguindo e pesquisando. Localizou as coleções dos “Boletins da Universidade Rural de Pernambuco (URP)”, os “Boletins da Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio (SAIC)”, que compõem o acervo bibliográfico da Biblioteca Central da UFRPE. Mais adiante, seu fio alcançou as “Plaquetes da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica (APCA)”, completando, dessa forma, o conteúdo do Tomo I de uma série que, certamente, será composta por vários outros Tomos.

Compilados, os discursos seguem a linha do tempo, mantém a ortografia original da época de seus pronunciamentos e encontram-se contextualizados. Dessa forma, temos a honra de apresentar à sociedade o Tomo I desta obra, composto em sua primeira parte, pelos discursos proferidos na Escola Superior de Agricultura de Pernambuco (ESAP), o primeiro deles, na qualidade de Orador da Turma de Agrônomos do ano de 1940.

Nesse primeiro discurso, agradecendo ter sido escolhido pelos colegas concluintes do curso de agronomia de 1940, da Escola Superior de Agricultura, dizia o concluinte Eudes, demonstrando uma das suas qualidades de exímio palestrante: “De caráter rijo, de palavras curtas, de atitudes francas e por índole, desconfiados, eles – referindo-se aos agricultores - afugentam de suas idéias os profissionais poucos experimentados, e que se aventuram a ministrarlhes ensinamentos incompatíveis com a sua realidade agronômica e com a experiência e o bom senso de que são possuídos. Mas, acrescenta - quando devidamente conduzidos por agrônomos que aliem aos conhecimentos próprios de sua carreira, sociólogos e psicólogos, eles constituem um material magnífico para ser plasmado como obra prima de sociedade, em que
pontifiquem o espírito de cooperação e um impulso em prol da produção”.

Em seguida, temos a Conferência-Relatório da sua viagem aos Estados Unidos da América do Norte em 1944/45, relatando os resultados da viagem de estudos naquele País, no ano de 1944, atendendo ao convite da Comissão Brasileiro-Americana, após ser indicado pela Congregação da Escola Superior de Agricultura de Pernambuco para representar a Escola no mencionado Curso. Naquela ocasião, especializou-se em Fomento da Produção Agrícola, estagiando no Centro de Pesquisas de Beltsville, em Baltimore, a poucas milhas da Universidade de Maryland e a 13 milhas de Washington.

Paraninfo dos concluintes do Curso de Agronomia do ano de 1949 da Escola Superior de Agricultura, proferiu, no Salão Nobre da Universidade Rural de Pernambuco, discurso conclamando os jovens agrônomos a serem educadores: “sereis educadores, ensinando às populações rurais o melhor sistema de aproveitamento dos recursos naturais que lhes oferece a natureza; sereis engenheiros, orientando as construções que valorizarão as propriedades; sereis químicos, empregando vossos conhecimentos de Analítica, Química e Tecnologia em favor do progresso agrícola; sereis bacharéis, guiando-os no que se relaciona com os decretos e regulamentações de ordem rural; e, finalmente, sereis médicos e veterinários, aplicando a medicina preventiva e curativa a sua economia”.

Paraninfando a turma do ano seguinte, 1950, reservou-lhe o destino mais um motivo de aproximação com aqueles jovens alunos, a viagem que dentro em breve empreenderia como um dos Professores que acompanharia aquela turma em busca de outros continentes: da lendária África e da Velha Europa. Naquela conjuntura, lembrou-lhes a existência de “uma responsabilidade maior, desde que, assim como vos assiste o direito de aprender, assim também existe o dever de transmitir os conhecimentos adquiridos através das vossas futuras palavras e obras”. Em 1951, atendendo ao convite do Diretório Acadêmico do Curso de Agronomia da Escola Superior de Agricultura de Pernambuco, relata a viagem que empreendera ao Norte da África, repassando aos jovens estudantes a experiência e o aprendizado adquiridos, sem deixar de exaltar as belezas naturais e do Povo do Senegal.

O Papel dos Clubes Agrícolas constitui a temática do discurso de 1952, no qual destaca a importância da educação das crianças do campo, fazendo o seguinte chamamento aos Engenheiros Agrônomos pernambucanos: “Urge que despertemos nas crianças que vivem nos campos o amor pelas cousas da natureza caprichosa e bela e sempre favorável ao homem neste pedaço de mundo abençoado que é o Brasil”.

Atendendo ao convite da Turma de 1960, o Professor Eudes, em seu discurso, convoca todos os “néos agrônomos” da Escola para a importância do papel do AGRÔNOMO NA ECONOMIA NACIONAL na afirmativa seguinte:“Após vencerdes essa etapa, da formatura, a marcha para a racionalização da agricultura será fácil, branda e curta, visto que tereis a vosso lado, devidamente arregimentado, o exército de rurícolas, habilitados a converter em práticas efetivas os ensinamentos agronômicos que lhes havereis de ministrar”. Essa primeira parte, dedicada aos discursos proferidos na Escola Superior de Agricultura, é finalizada pelo discurso de saudação durante a Solenidade de outorga da “Comenda do Mérito Agronômico do Ano” ao Professor Titular de Ecologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), João de Vasconcelos Sobrinho, concedida pela Associação Brasileira dos Engenheiros Agrônomos.

Foi o Professor Eudes, mais uma vez, convidado para saudar o homenageado durante a solenidade realizada no Salão Nobre da Universidade Federal Rural de Pernambuco, em 13 de janeiro de 1984, com a presença de diversas autoridades e convidados. Ao falar sobre o grande Mestre, disse: ”Em João de Vasconcelos Sobrinho, impregnou-se a mística do Rosa Cruz em concentrações mentais poderosas, fazendo-o conviver com o bem e o mal, sem jactância e sem temor, com a bravura e a simplicidade de um asceta a serviço da humanidade”. A segunda parte deste Tomo I é composta pelos discursos das  Solenidades Comemorativas da Academia Pernambucana de Ciência

Agronômica (APCA), desde a sua instalação, em 31 de maio de 1983, até 1987. Nesse grupo, destacamos o discurso-palestra do Professor Eudes no Mosteiro de São Bento, Olinda, Pernambuco, no dia 30 de outubro de 1987, durante as Comemorações dos 400 anos da presença da Ordem Beneditina em Pernambuco, como parte das Festividades dos 75 anos de Criação dos Cursos de Ciências Agrárias em Pernambuco, em 03 de novembro de 1912, célula mater da Universidade Federal Rural (UFRPE).

Desse discurso que se constitui em um dos mais emocionantes e brilhantes momentos da oratória do Professor Eudes, destacamos o seguinte trecho: “Ao analisar o papel dos beneditinos no desenvolvimento da agricultura nordestina, cabe-nos destacar primordialmente a magnífica contribuição dada ao universo a partir do continente europeu. Por serem monges habitantes de mosteiros construídos no meio rural, estiveram sempre familiarizados com as atividades agropastoris. O gosto pela ciência e pelos processos tecnológicos, aplicados no cultivo de plantas e criação de animais, bem como nas transformações dos produtos da terra em matérias primas alimentadoras da espécie humana, dos animais domésticos e das máquinas industrializadoras, fez dos monges beneditinos verdadeiros doutores em botânica, zoologia, física, química, biologia, genética, climatologia, matemática, estatística, mecânica e construções rurais aplicadas à agronomia.”

Nesse resgate, infelizmente, há uma lacuna nos anos de 1988 a 1994, cujos discursos não foram localizados, tendo sido retomados os discursos comemorativos dos anos de 1995 até 2009, seqüenciados pelos discursos dos I e II Seminário Biodiesel.

Conceição Martins, durante a sua árdua tarefa, ao reler um dos discursos referidos neste Tomo I, destaca a importância da proposição do Professor Eudes durante a VIII Conferência Brasileira de Agronomia, realizada
em outubro de 1977, em Brasília, para a criação da Academia Brasileira de Ciência Agronômica. Fazendo, então, uma analogia com a Mitologia Grega, Conceição, relaciona o Professor Eudes a Teseu - o jovem herói ateniense que recebeu de Ariadne – filha do rei Minos, um fio de novelo que deveria ser por ele desenrolado para encontrar a saída do labirinto do Minotauro onde estava preso.

Segundo Conceição Martins, Dr. Eudes, tal qual Teseu, com espírito de líder e dotado de entusiasmo, percebeu a existência de um fio para a saída do labirinto do lugar comum em que se encontrava a Agronomia Pernambucana. Transcendendo o papel de Teseu, assumiu a essência de Ariadne ao ir além desse fio, buscando muitos outros. No entanto, não houve retorno a sua primeira proposição. Anos depois, Dr. Eudes, lançou um segundo fio para a criação da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Dessa feita, o fio obteve pleno êxito, conclui Conceição Martins: “na saída do labirinto, a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica foi criada com a cooperação de muitos fios, que responderam ao chamado do Mestre”. Passados 25 anos da existência da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, temos o discurso do Jubileu de Prata da Academia comemorado em 2009, do qual destacamos o seguinte trecho: “É nesta Academia que refulgem os valores mais altos da imortalidade agronômica, projetados no plano nacional e com repercussão internacional.

As Academias representam o caleidoscópio da criatividade humana”. Encerram esse Tomo os discursos da Solenidade de Abertura do I e II Seminário Biodiesel, promovidos pela Academia Pernambucana de Ciência
Agronômica, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em outubro de 2008 e maio de 2010, respectivamente, ambos os Eventos realizados sob o patrocínio da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Ao final do II Seminário Biodiesel, o Professor Eudes destacou, entusiasticamente que: “Nada pode ser mais gratificante para os que fazem a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica do que ver reunidos os mais credenciados cientistas, professores, pesquisadores, técnicos, universitários e empreendedores da área energética com os trabalhadores do campo,

responsáveis pelas fainas da agricultura familiar. Isso significa a união da cúpula da cultura com os laboriosos produtores rurais das matérias primas empregadas na fabricação do Biodiesel”.

O fio de Ariadne continua a se desenrolar, mostrando muitas outras palavras dispersas pelo labirinto das letras, registradas em muitos outros discursos, os quais, num breve porvir, é nossa pretensão, serão organizados nos Tomos discriminados a seguir: - Tomo II - contendo os seguintes discursos: - Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio;

- Ministérios da Agricultura, Educação e Planejamento;
- Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário.
- Tomo III - contendo os seguintes discursos:
- Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra;
- Rotary International;
- Associação Comercial de Pernambuco.
- Tomo IV - contendo os seguintes discursos:
- Homenagens Familiares;
- Homenagens e Honrarias recebidas;
- Outros

Em tempos do mundo virtual, concordamos com Conceição Martins, a Ariadne moderna, quando sugere que essa produção seja também preservada em formato eletrônico, de forma que, cada Tomo publicado no formato impresso tenha também sua versão eletrônica – e-book.

Recife, 08 de julho de 2010.

Osvaldo Martins Furtado de Souza
Titular da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica

 
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