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APCA EMPOSSA NOVOS ACADEMICOS TITULARES PDF Imprimir E-mail

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Grupo da APCA e palavras do Presidente, Eudes de Souza Leão Pinto
foto: Conceição Martins

Um clima de amizade, dinamismo e emoção marcou a manhã de ontem, 24 de agosto, durante a reunião que homologou os prestigiosos nomes de 08 Engenheiros Agrônomos, que passaram a integrar o quadro de Acadêmicos Titulares da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica (APCA).

Os elevados méritos e as vitórias alcançadas como Engenheiros Agrônomos no decorrer de suas vidas profissionais justificaram plenamente as suas admissões como novos imortais da classe agronômica brasileira. Compõem o grupo, os Engenheiros Agrônomos, Adalberto Farias Cabral, Celso Muniz de Araújo, Egídio Bezerra Neto, Geraldo Eugênio de França, Geraldo Majella Bezerra Lopes, Múcio de Barros Wanderley, Reginaldo Barros e Rita de Cássia Araújo Pereira. 

Durante a citada reunião ocorreu a posse informal, ficando o rito da posse solene para data a ser agendada e, posteriormente, divulgada.

Discurso de Saudação aos Novos Titulares, pronunciado pelo Orador da APCA, Acadêmico Mauro Carneiro dos Santos, Orador


SAUDAÇÃO AOS NOVOS INTEGRANTES DA APCA – 24-08-2010
 

    Caríssimos novos integrantes da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, APCA.

   Gostaria de, neste primeiro contato de saudação aos novos acadêmicos, fazer uma breve retrospectiva da origem, importância e atuações das instituições designadas “Academias”, especialmente as que envolvem atividades científicas, artísticas e literárias.

    O termo Academia vem de ACADEMO, herói ateniense que revelou aos gêmeos Castor e Polux, o local onde sua irmã Helena, princesa de Esparta, estava escondida em Ática, desde que fora raptada por Teseu. Em homenagem a este herói, o terreno que lhe pertencia e onde foi sepultado, situado a noroeste de Atenas, foi transformado no Jardim de Academo e nele construído um templo dedicado a Atenas, deusa da sabedoria. Em todas as invasões de Atenas, pelos espartanos, este Jardim foi rigorosamente respeitado em homenagem àquele que ajudara na libertação de Helena de Tróia.
Em torno do ano 387 AEC, Platão reunia ali os seus discípulos, formando uma escola destinada oficialmente ao culto das musas, as nove musas da mitologia grega, mas que na realidade desenvolveu intensa atividade filosófica e, primordialmente, serviu para perpetuar a obra e a memória do seu Mestre Sócrates.  Platão não só perpetuou Sócrates, mas se perpetuou no relacionamento, no pensamento filosófico e nas ações através da Academia. O termo Academia foi utilizado no século XV, em Florença, Itália para definir grupos de estudos de cultura clássica. Posteriormente se estendeu às escolas de ensino superior. No ano de 1590 a Itália se destacava por concentrar a maioria dos cientistas que estabeleceram as bases da ciência moderna. Nesta época foi criada em Roma a primeira Academia cientifica do mundo, a famosa “Accademia dei Lincei” ou Academia dos Linces, em português. Os linces são felinos que habitam vários países do hemisfério norte, privilegiados por grande agilidade e uma visão de alta acuidade, o que lhes permite enxergar bem a grandes distâncias. Por analogia os homens de ciência eram considerados verdadeiros linces porque enxergavam melhor e mais longe do que os demais.  A ”Accademia dei Lincei” inspirou a criação de muitas outras. Por todo século XVI e XVII surgiram Academias em quase todas as cidades européias, especialmente na França. No Brasil e na Bahia, o ano de 1724 pode ser considerado como primeiro do movimento acadêmico brasileiro.  D. João V encarregou a Academia Real Portuguesa de coligir as informações relativas ao Brasil para composição da História Portuguesa. Nenhum letrado colonial fora chamado para compor os quadros da Academia de História Portuguesa. O sentimento era de revolta, já que consideravam que seus talentos intelectuais deveriam receber maior atenção da Corte. Desta forma, com sete acadêmicos, formaram a primeira academia brasileira com o sugestivo título de “Academia Brasílica dos Esquecidos”.

    Há quem enalteça tempos gloriosos quando as Academias tinham como
objetivos possibilitar a qualquer pessoa do povo saber o que era ciência e como eram feitas as descobertas científicas, já que em suas reuniões o que se praticava geralmente era a realização de experimentos para que os leigos as vissem. Com o crescimento das pesquisas em fins do século XIX, inventaram-se os congressos, cujos objetivos continuavam sendo as demonstrações práticas, mas então para os próprios cientistas. As Academias, no entanto, continuam a existir e, parodiando a belíssima afirmativa da Federação das Academias de Medicina, “elas têm sólidas razões para existir, pois congregam e integram valores, experiências, sabedoria, cultura acumulada. Elas valem pelo somatório da história de cada um e pelo conjunto da representatividade solidária da instituição”.

    A nossa Academia Pernambucana de Ciências Agronômicas, única no Brasil, foi idealizada e criada pelo Engenheiro Agrônomo Eudes de Souza Leão Pinto em setembro de 1983, por ocasião do Congresso Brasileiro de Agronomia. Foi instalada em 31 de maio de 1984, em Sessão Solene, no Auditório da Academia Pernambucana de Letras. O Dr. Eudes a preside ao longo destes 27 anos de existência, tendo sido recentemente aclamado Presidente Vitalício. Recentemente, em Brasília, com a presença do Presidente da República e do Ministro da Agricultura, o Dr. Eudes foi condecorado com a Medalha Apolonio Salles, maior comenda da agricultura brasileira. Foi comentada na ocasião a criação da Academia Brasileira de Ciências Agronômicas, ABCA, proposta pelo próprio Professor Eudes durante o XIII Congresso Brasileiro de Agronomia realizado em Curitiba, no ano de 1973, mas jamais criada. A Academia Brasileira teria como semente a nossa APCA e o Dr. Eudes como presidente. Este é um dos desafios a serem enfrentados por todos nós, incluindo todos vocês novos acadêmicos, já que existe um sentimento de criação da ABCA no ano corrente, quando se comemora os 150 anos do Ministério da Agricultura.

    Vivenciamos um momento incomum na visão científica onde, a fragmentação dos saberes causada pelas especializações, a incerteza do porvir calcada na descoberta da interconexão de tudo que existe e na indeterminação de tudo que acontece, demanda uma visão de mundo contextual. Segundo Edgar Morin, grande pensador francês, enfrentamos o desafio da globalidade, isto é, a inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre um saber fragmentado em elementos desconjuntados e compartimentados nas disciplinas de um lado e as realidades multidimencionais, globais, transnacionais, planetárias e os problemas cada vez mais transversais, polidisciplinares e até mesmo transdisciplinares. A inteligência que só sabe separar espedaça o complexo do mundo em fragmentos desconjuntados, fraciona os problemas. Incapaz de encarar o contexto e complexo planetário, a inteligência torna-se cega e irresponsável. “A nave Terra navega pela noite bruma numa aventura desconhecida” (Edgar Morin). São imensas as incertezas de um porvir e muitas as perspectivas para um futuro próximo. A população atual da terra é de 6 bilhões de pessoas, mas estimativas mostram que em 2050 será de 9 bilhões.
A produção alimentar tem de aumentar em 50% até 2030 para dar conta de uma demanda crescente. Neste contexto, a ciência agronômica se insere como uma atividade fundamental face aos problemas expostos. Seu caráter multidisciplinar, que inclui sub-áreas aplicadas das ciências naturais, exatas, sociais e econômicas, contribui para aumentar a compreensão da agricultura e melhorar a prática agrícola, por meios de técnicas e tecnologias, em favor de uma otimização da produção, do ponto de vista econômico, técnico, social e ambiental. O físico inglês Stephen Hawking, há poucas semanas, proclamou: “Avançamos muito nos últimos 100 anos. Se quisermos ir além dos próximos 100, o futuro é o espaço”. O físico brasileiro Marcelo Gleiser, em seu recente livro “Criação Imperfeita” conclama: “Humanos! Salvem a vida! Não há nada de mais precioso e raro. Preservem-na, façam com que dure, ajudem a espalhá-la pela vastidão do cosmo. Esta é a nossa missão suprema como mentes do cosmo”. Há alguns anos visitei na Universidade de Guelph, Canadá, um projeto, no mínimo fantástico, que atesta este tipo de preocupação. Uma imensa área coberta com câmaras de aço grandiosas onde são reproduzidas as condições atmosféricas e climáticas de vários planetas. Nestas câmaras inúmeras espécies vegetais comestíveis são plantadas e adaptadas a diversidade de condições acima citada. Estes posicionamentos e ações atestam a complexidade que o nosso planeta já enfrenta, como também, a presença da ciência agronômica na solução de problemas gerados pela incerteza do porvir. Nada mais adequado que um ambiente acadêmico para congregar e integrar valores, experiências, sabedoria, cultura acumulada. Juntos, podemos contextualizar os saberes, pensar ou repensar a complexidade dos problemas globalizados e, quem sabe, contribuir para preservação ou, talvez, perpetuação da humanidade.

    Lembrem-se novos integrantes, Acadêmicos estão destinados a imortalidade. (“Ad immortalitatem”; Para a imortalidade - Divisa da Academia Brasileira de Letras). Logicamente não a imortalidade física, mas a imortalidade refletida na perenidade das boas obras realizadas, a imortalidade na memória das gerações que se seguirão. Conta-se que Olavo Bilac, quando participou da fundação da Academia Brasileira de Letras junto com Machado de Assis e Joaquim Nabuco declarou: "Somos imortais porque não temos onde cair mortos." De fato, em 1897, a academia vivia na miséria. Miséria não é o termo que definiria a situação atual da nossa APCA, mas uma das nossas metas é ampliar o suporte financeiro para que possamos garantir e expandir as nossas ações. Tomás de Aquino afirmava que acadêmicos são “seres etéreos, mensageiros alados, feitos da presença do que realizaram. Sejamos mais, sejamos feitos não só da presença do que realizamos, mas do que realizaremos, individualmente e institucionalmente, sejamos linces, como os componentes da primeira academia nos moldes modernos, para que possamos enxergar melhor e mais longe a complexidade do mundo atual. Sejam bem-vindos novos acadêmicos. Sentimo-nos honrados com a presença de todos vocês, contamos com a competência comprovada de cada um para o engrandecimento da nossa APCA e, quem sabe, da futura ABCA.

    Muito obrigado

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Grupo da APCA e palavras do Presidente, Eudes de Souza Leão Pinto

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Grupo da APCA e palavras do Presidente, Eudes de Souza Leão Pinto

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Grupo da APCA e palavras do Presidente, Eudes de Souza Leão Pinto

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Novos Titulares

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Saudação da APCA através do Acadêmico Mauro Carneiro dos Santos, Orador

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Engenheiro Agrônomo, Celso Muniz de Araújo, Novo Titular da Cadeira 27

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Engenheiro Agrônomo, Egidio Bezerra Neto, Novo Titular da Cadeira 21

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Engenheiro Agrônomo, Geraldo Eugênio de França, Novo Titular da Cadeira 02

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Engenheiro Agrônomo, Geraldo Majella Bezera Lopes, Novo Titular da Cadeira 22

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Engenheiro Agrônomo, Múcio de Baros Wanderley, Novo Titular da Cadeira 23

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Engenheiro Agrônomo, Reginaldo Barros, Novo Titular da Cadeira 09

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Engenheira Agrônoma, Rita de Cassia Araujo Pereira, Nova Titular da Cadeira 16

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Palavras do Acadêmico Leonardo Valadares de Sá Barretto Sampaio,
1º Vice-Presidente da APCA

 
Crédito das fotos: Conceição Martins

 
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