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COM A PALAVRA O ACADEMICO DO MES: PDF Imprimir E-mail

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HELVIO
AZEVEDO
DE QUEIROZ


 

A Questão Sementes do Brasil

Passei grande parte de minha vida trabalhando com sementes. Impressionou-me inicialmente a leitura do livro “Seed is Life”. Semente é vida. Ou seja, é o começo de tudo.

Aprendi nos livros e nos laboratórios que existem sementes de todas as formas e tamanhos e que algumas são tão pequenas que mal se pode ver a olho nu.

A Bíblia no Livro do Gênesis assim se referiu às sementes: “E produziu a terra erva verde que dava sementes segundo a sua espécie; e produziu árvores frutíferas que continham as suas sementes em si mesmas”.

Existem outras citações Bíblicas como o evangelho de São Mateus e que fala do pequeno grão da mostarda.

Já se escreveu que a agricultura começou há mais de 10000 anos quando o homem descobriu a função geratriz da semente e que a mesma se revelou um insumo essencial para o desenvolvimento agropastoril de todos os países do mundo.

Nas sementes está o potencial genético,  fisiológico e todas as práticas agrícolas estão subordinadas à capacidade reprodutiva das mesmas.

O setor sementeiro no Brasil evoluiu a partir de junho de 1966, quando A Universidade do Estado do Mississipi MSU e a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional-USAID “assinaram um contrato mediante o qual a MSU empreendeu um estudo dos fatores técnicos e econômicos associados ao estabelecimento da indústria de sementes nos países menos desenvolvidos”. (“Programas de Sementes-Planejamento e Implantação”. Livro de James C. Delouche e Howard C.Potts – Tradução de C. Walter Lingerfelt -1974.

Em face da necessidade de uniformizar a amostragem, pureza, poder germinativo, grau de umidade, infestação, valor cultural e tolerância nas análises, os analistas brasileiros passaram a realizar também testes especiais como o de Tetrazólio para determinar rapidamente a viabilidade das sementes. Foram então adotadas as Regras de Analises de Sementes (RAS), baseadas na “International Seed Testing Association- ISTA.

Muitos Técnicos foram treinados, no Brasil e  nos Estados Unidos. Laboratórios novos e antigos passaram a trabalhar visando a emissão de certificados para o Comércio Internacional os quais devem conter uma série de informações que credenciam a validade destes certificados.

Verificou-se a necessidade de execução do controle de qualidade para a produção de sementes com alta qualidade física, fisiológica, genética e sanitária.

Com o amadurecimento do setor sementeiro, criou-se no Brasil a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes- ABRASEM que reuniu produtores de todo o País.

Um livro intitulado “A Empresa de Sementes no Brasil - Aspectos Jurídicos e Técnicos” traz uma abordagem sobre a questão sementes. Foi elaborado pelos Advogados Marcio C.S. Santos e Luiz Antônio Gambeli com a participação técnica dos Engenheiros Agrônomos Tharcizio de Campos Almeida e José Ricardo Boscardin.

Este trabalho trata dos aspectos jurídicos e técnicos da pesquisa, produção e comercialização de sementes melhoradas no Brasil.

Na Região Nordeste a produção de Sementes teve uma forte participação governamental, segundo o Engenheiro Agrônomo Manoel Olimpio de Vasconcelos Neto, Secretário Executivo da CONASEM- Comissão Nacional de Sementes e Mudas do Ministério da Agricultura em artigo publicado no anuário da ABRASEM/1985.

Em Pernambuco foi criada uma empresa estatal denominada SEMEMPE e na Bahia SEMENTES FORMOSO e empresas particulares como AGROCERES e ALGODOEIRA SÃO MIGUEL. A CODEVASF também atuou na produção de sementes. Estas ações conferiam ao Vale do São Francisco a sua aptidão para produção de Sementes.

Em 1970 tivemos a oportunidade de coordenar o III Seminário Brasileiro de Sementes, evento realizado na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Contamos com a colaboração do Professor Espedito Couceiro da UFRPE, o Engenheiro Agrônomo Pedro de Barros Correia do Ministério da Agricultura, Amílcar Dória Matos da SUDENE, Luis de Góes Vieira da Secretaria de Agricultura e ainda a colaboração dos Engenheiros Agrônomos Celso Freitas e Clovis Terra Wetzel do Ministério da Agricultura em Brasília.

Em 1974 foi realizado o IV Seminário Brasileiro de Sementes em Fortaleza- Ceará também com magnífica presença de técnicos, grande apoio do Governo Estadual e Órgãos de Pesquisa locais.

Durante este Seminário, o INFAOL- Instituto Nordestino Para o Fomento do Algodão e Oleaginosas que também produzia sementes de algodão, representado pelo seu Diretor Técnico Engenheiro Agrônomo Fernando Chaves Lins oficializou o Método Guimarães Duque de Lavoura Seca  usado pelo INFAOL na presença do Dr. Guimarães Duque eminente e respeitado técnico, que agradeceu sensibilizado a homenagem.

Esses eventos contribuíram para ampliar o interesse para a produção deste valioso insumo para a agricultura. Com imensa tristeza assistimos a desativação de excelentes estruturas instaladas no Vale do São Francisco como a do Serviço de Produção de Sementes Básicas – SPSB, cuja Gerencia Regional Norte/Nordeste exerci com muita honra e dedicação.

Estamos vendo atualmente invasões de terras, destruição de laboratórios e experimentos que demandaram anos de pesquisa. A insensatez de grupos irresponsavelmente dirigidos está atingindo Empresas de Pesquisas, Universidades e Usinas Hidroelétricas. Até quando e até onde chegaremos, não sabemos.

HÉLVIO AZEVEDO DE QUEIROZ
Acadêmico Titular e 1º Secretário da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica

 

 
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