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ARTIGO DO DR. KLEBER SANTOS PDF Imprimir E-mail

Quo Vadis Engenheiro Agrônomo?

(...) Creio em mim mesmo e humildemente, mas com toda a sinceridade, ofereço-me para auxiliar os homens, e as mulheres e as crianças do campo a tornarem prósperas as suas terras, confortáveis e belos os seus lares, harmoniosos o ambiente da comunidade rural e assim, tornar útil a minha própria vida. É por ter amor a todas estas coisas e por crer em tudo isto que eu sou agrônomo de campo.

(Trecho do decálogo Extensão Agrícola, de Miguel Bechara, publicado em 1954. Extraído de um relatório de viagens de agrônomos portugueses).
 

           Quando criança, escutei falar de sacerdócio como dedicação a uma Causa; como a mais sublime vocação! Hoje entendo isto na prática!! Exercer a missão de ser Engenheiro Agrônomo requer vontade para vencer desafios. Creio que sempre foi assim! Das origens da profissão aos tempos atuais!

            Tudo começou pela mais nobre das atividades: plantar, criar! Desde que o homem abandonou a vida nômade, procurou domesticar os animais e desenvolver os cultivos, passou a enfrentar e compreender a natureza! Chuva, sol, noite, terra, frio, calor! Dizem que o agricultor é o homem que fala com Deus: porque cotidianamente dialoga com o tempo e o ambiente! Eis a origem da Agronomia!!

              A necessidade do profissional para incrementar a produção agropecuária advém com o crescimento das cidades e o surgimento da Revolução Industrial; fatores que demandaram gente do campo, com a imposição, àqueles que ficaram, do desafio de abastecer a urbe. Portanto, a origem do Engenheiro Agrônomo está intimamente vinculada ao processo urbanização!  

 

Em 12 de outubro de 1933, época do governo Getulista, o Brasil gerou uma das primeiras profissões regulamentadas: é instituído o Decreto-Lei 23.196 que regula a profissão do Engenheiro Agrônomo. Embora existam diversos normativos para concessão de atribuições (a exemplo da Resolução Confea 1.010, de 2005), é reconhecida a validade do Decreto-Lei que, inclusive, deve nortear os cursos de Agronomia na formulação dos projetos pedagógicos.

 

                Hoje, quando somos compelidos pela síndrome da velocidade, onde muita coisa é descartável, precisamos resgatar e aplicar os antigos e válidos conceitos. O Decreto é de 1933, mas seus princípios são basilares, mesmo para os tempos modernos. Isto porque determina e fornece bases para a universidade laborar a formação generalista e sistêmica do Engenheiro Agrônomo, com saldo para preencher a grade horária conforme as exigências regionais, sociais e de mercado de trabalho. A sociedade demanda o desenvolvimento da engenharia genética, atualização em georreferenciamento, novas tecnologias sustentáveis, modernização da empresa rural? Todos estes conhecimentos são válidos e precisam constar nos bancos das escolas de Agronomia. Mas com preservação da formação holística do Engenheiro Agrônomo!

 

                Porque não existe Engenheiro Agrônomo pela metade! Cursos de pós-graduação devem ser valorizados como especializações do profissional generalista! Qual o futuro de uma sociedade que lança uma nova graduação a cada novidade tecnológica? As inovações tecnológicas demandam compreensão sob contexto social, no lugar da análise pontual! Precisamos resgatar o valor da formação completa e integral do Engenheiro Agrônomo!!

 

O Engenheiro Agrônomo dispõe de amplo leque de atribuições, nos campos da engenharia, biologia, ciências humanas. São diversas áreas aplicativas como zootecnia, fitotecnia, economia rural, agronegócios, conservação do meio ambiente, paisagismo, planejamento da ocupação do espaço – vide as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Agronomia aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, de fevereiro de 2006.

 

O País quer produzir alimentos com qualidade? É preciso conciliar a ocupação das terras agrícolas com a conservação das florestas? Falta infra-estrutura e logística para o desenvolvimento sustentado? Os dramas sociais da fome e da degradação ambiental requerem soluções objetivas e rápidas?

 

                No campo e na cidade, para responder aos anseios sociais existe o Engenheiro Agrônomo! Profissional presente na docência, assistência técnica, extensão rural, pesquisa, consultoria, planejamento, gerenciamento, fiscalização, inspeção, auditoria, perícia, empreendedorismo; nos órgãos públicos e privados!

 

                Diz o provérbio chinês que a lei às vezes dorme, mas nunca morre. Resgatemos o valor do Decreto 23.196, de 1933. Que neste dia 12 de outubro, que também é Dia da Criança, procuremos lembrar e para sempre, do Dia do Engenheiro Agrônomo.

 

Parabéns aos Engenheiros Agrônomos e aos futuros Engenheiros Agrônomos!!!

 

Kleber Santos

Engenheiro Agrônomo

Conselheiro Federal Confea

 
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