Início
ARTIGO PDF Imprimir E-mail

AINDA "CADÊ MÁRIO MELO?..."
Osvaldo Martins F. de Souza

Em 5 de fevereiro passado, há cerca de 127 anos,  nascia no sítio Barbalho, bairro da Iputinga, Recife, Mário Carneiro do Rego Melo, ou simplesmente Mário Melo, filho do promotor público de Campina Grande, e de Maria da Conceição Carneiro da Cunha (Ciçone).

Fez o primário em colégios de Campina Grande e Paudalho, onde seu pai era juiz, o curso secundário no Liceu Paraibano, Colégio Salesiano e Ginásio Pernambucano, concluindo seus estudos na Faculdade de Direito do Recife. Seu primeiro emprego de Telegrafista no Telégrafo Nacional, aprovado em primeiro lugar, possibilitou seu casamento em 1907.

O historiador e médico Rostand Paraíso, no seu magnífico “Cadê Mário Melo?...”, declarou que “Mário Melo era um pernambucano da gema”, membro atuante do Clube do Cupim, instituição fundada no Recife no século XIX, que tinha por objetivo a libertação dos escravos, ajudando-os, a embarcá-los altas horas da noite em barcaças e jangadas, pelo rio Capibaribe, cobertos de grossas camadas de capim para esconde-los, tomando o destino de outras províncias livres da escravatura.

Dizia outro ilustre médico, cronista e teatrólogo, Valdemar de Oliveira, “outro homem não viveu em nossa terra tão medularmente tocado da obsessão do culto aos seus antepassados e do interesse para seu engrandecimento”. Onde houvesse uma relíquia a preservar, lá estava Mário Melo. Foi assim no caso da gameleira do Espinheiro, quando chegou ao seu conhecimento que a mesma seria derrubada, “tomou o assunto para si, e aqueles que assim o desejavam não sabiam que estavam botando a mão numa casa de maribondo” – declarou o saudoso jornalista Sócrates Times de Carvalho.

No jornal O Álbum, de 1º de junho de 1900, apenas com 16 anos, iniciou sua carreira jornalística, escrevendo sobre a guerra anglo bôer, contra a Inglaterra, tornando-se logo redator-chefe. Não mais circulando o Álbum, exerceu suas atividades de jornalista na Folha do Povo, Correio do Recife, Jornal Pequeno Estado de São Paulo, Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio.

Além de jornalista, Mário Melo era poeta, apaixonado pelo carnaval. Professor de Português, deputado estadual pelo Partido Social Democrático, maçom, membro da Academia Pernambucana de Letras, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, fundador da Associação da Imprensa de Pernambuco, fundador da Escola de Belas Artes e Faculdade de Comércio e Ciências Econômicas e fundador da Federação Carnavalesco de Pernambuco. Cônsul ad honorem da Venezuela, além de haver sido homenageado com várias condecorações, inclusive com a da Medalha de Ouro da Sociedade Acadêmica de História Internacional de Paris.

Faleceu Mário Melo em sua residência, à Rua Santo Elias, 292, no bairro do Espinheiro, na madrugada do dia 24 de maio de 1959, deixando imensa tristeza naqueles que, como ele, também se dedicam a tarefa hercúlea da preservação do passado.


ImageOsvaldo Martins F. de Souza, é Engenheiro Agrônomo, Professor aposentado da UFRPE e Titular da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica ( Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo ).
 

Artigo publicado na FOLHA DE PERNAMBUCO
Caderno Cidadania
edição de 17 de fevereiro de 2010.

 
< Anterior   Próximo >
APOIO CULTURAL Apoio Cultural
PARCEIROS Parceiros

Usuários On-line

© 2017 APCA | Academia Pernambucana de Ciencia Agronomica

Webmaster: