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ROLDÃO DE SIQUEIRA FONTES: MEMÓRIA VIVA DA UFRPE Imprimir E-mail

Osvaldo Martins F. de Souza
Engenheiro Agrônomo. Professor aposentado da UFRPE.
Titular da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica.

Se vivo fosse, estaria completando em 29 de dezembro, 98 anos, o professor Roldão de Siqueira Fontes, nascido na Fazenda Cajá, município de Flores (PE). Conheci-o em 1951, ele como professor de História e Geografia, e eu como Diretor do saudoso Colégio Agrícola de São Lourenço da Mata, carinhosamente chamado Colégio São Bento, lembrando eternamente os monges beneditinos de Olinda, que plantaram no mesmo local, as sementes da Ciência Agronômica de Pernambuco e do Brasil, hoje, Colégio D.Agostinho Ikas, da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Dos adjetivos que lhes foram conferidos: obstinado, abnegado, apóstolo, cavaleiro da Branca Lua conferido por Ariano Suassuna; fanático, missionário, combativo, pioneiro, quixotesco, líder, telúrico, patriótico, “apóstolo do verde” por Frederico Pernambucano de Mello; ecologista, lutador, orientador, guia e entusiasta, creio que o de guerreiro, talvez fosse o mais justo, o mais merecido, o mais adequado e o mais autêntico, em virtude da sua luta, ainda no Americano Batista, quando já nutria o ideal de resgatar aos brasileiros o pau-brasil como símbolo nacional.

Foi persistente, quando precisava sê-lo. Belicoso quando encontrava resistência contra os seus propósitos. Líder, quando conseguia fazer entender-se, missionário quando pelos brasis afora, propagando, semeando, distribuindo mudas, sementes e amostras da tinta extraída do cerne do pau-brasil. Na sua ininterrupta peregrinação, conseguiu adesão e simpatia quando em contato com professores e estudantes de todos os graus, trabalhadores rurais e urbanos, políticos de todos os níveis e partidos, clubes de serviço, empresas privadas e até órgãos militares.

Executou com grande capacidade e extrema dedicação, o projeto assinado entre o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNCS-PE, através de Carlos Krebs Filho, e a Universidade Federal Rural de Pernambuco, através dos Reitores Adierson Erasmo de Azevedo, Murilo Salgado, Humberto Carneiro, João Batista de Oliveira, Vasconcelos Sobrinho, Naldo Halliday Pires Ferreira e Waldeci Fernandes Pinto, e das diretorias do Colégio Agrícola D.Agostinho Ikas - Codai, mantendo naquele estabelecimento uma sementeira de cinqüenta  mil mudas daquela Caesalpinia echinata, chamada pelos índios de  ybyrapytã ( ybyra = madeira e pytã = vermelho), permitindo assim a manutenção dos viveiros e complementação da reserva florestal nativa em torno  da bacia hidrográfico  do Sistema de Barragens do Rio Tapacurá.

Foi mais além. Viajando por conta própria, foi à Brasília, pressionando deputados e senadores para aprovarem projeto transformado em Lei nº 6.607/07.12.78, declarando o pau-brasil como árvore nacional, cuja festa deverá ser comemorada, anualmente, no dia 3 de maio.

Dizia um sábio – não sei se chinês ou brasileiro, que o homem para sentir-se realizado na sua vida, necessita possuir um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Filhos, Roldão Siqueira Fontes, teve seis, árvores plantou às mancheias, e livro escreveu “Um sonho de resgate”, publicado pela Fundação Nacional do Pau-Brasil (Funbrasil), da qual foi fundador e seu primeiro presidente.

Poderia, você, Professor Roldão, se algum dia parasse à beira da longa e nem sempre confortável estrada da sua vida, à sombra da copa perfumada de um pau-brasil dos milhares que você distribuiu e plantou, dizer em alto e bom som: Dever cumprido.( Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo )

 
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