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Relatório de Visita a Fazenda Tamanduá Imprimir E-mail

Fernando Chaves Lins*

Image 1 -LOCALIZAÇÃO

A Fazenda Tamanduá esta situada no Município de Santa Terezinha, próximo a cidade de Patos, Estado da Paraíba no Nordeste do Brasil.
No sertão das Espinharas, ela se encontra a 7°Sul do equador e a 400 km do litoral e do ponto mais oriental do continente sul americano, a uma altitude média de 240 metros.

O seu clima é característico das regiões tropicais semi-áridas, com chuvas anuais médias de 800 mm. concentradas num curto período de 2 a 4 meses, seguidas por um longo período de estiagem, que pode durar de 8 a 12 meses.

2 - DATA DA VISITA – 8 de março de 2007

3 - EQUIPE VISITANTE

  • Fernando Chaves Lins – engenheiro agrônomo
  • Benedito Wallace Guedes –engenheiro agrônomo
  • Horacio Morais de Andrade Barros – economista e empresário

 4 – EMPRESÁRIO
Image Trata-se de membro da Academia Nacional de Agricultura, vinculada a Sociedade Rural Brasileira – SNA, fundador da AxialPar (empresa que investe em negócios sustentável), Presidente da Fundação da Família Sandoz e membro do Conselho Administrativo da Syngenta S.A., maior companhia mundial de defensivos agrícolas e sementes do mundo.

Recentemente a Revista A LAVOURA, da Sociedade Rural Brasileira fez destacada entrevista com o Pierre Landolt (O Sertão que dá leite e mel), concluindo com um convite para se conhecer a Fazenda Tamanduá e seu proprietário, “um exemplo do que pode ser definido como indomável espírito de brasilidade”.

5- ATIVIDADES DESTACADAS
5.1 – Apresentação do CD da Enesa a respeito do Projeto Tamanduá

Image O empresário Pierre Landolt observa o CD que dá destaque às pesquisas que a fazenda desenvolve sobre para melhoria da produtividadede pinhão manso (Jatropha curcas) em parceria com  Universidade de Campina Grande, entre outros temas.

 

 

5.2 – Pesquisas com o pinhão manso

Image O coordenador do projeto – engenheiro florestal Ricardo Viegas - mostra o desenvolvimento de progênie que vem demonstrando resistência à seca e produtividade elevada.

 

 

5.3 – Produção e poda da mangueira

Image 3.019 pés de mangueiras enxertadas das variedades Tommy Atkins (80%) e Keitt (20%) frutificam no baixio do Riacho da Conceição. Estas mangas receberam a certificação orgânica do IBD no ano 2000. Atualmente trilhando o caminho da agricultura biodinâmica, recebe certificação DEMETER. 
Poda das mangueiras e ampliação da população com plantio entre linhas. O restolho triturado se destina a elaboração de composto.

 

5.4 – Composto

Image O COMPOSTO: um exemplo de integração de todas as atividades, agrícolas e pastoris.
Restolho da vegetação nativa (especialmente a jurema preta) e dos plantios se destinam à elaboração de composto para adubação das culturas.

 

 

5.5 – Pesquisa com o pinhão manso

Image O pinhão manso tem baixo custo de implantação e manutenção, uma vez que é uma espécie perene e apresenta um ciclo rápido de colheita. Ademais, a presença, nas plantas de pinhão manso, de raízes que armazenam água pode ser entendida como um importante componente adaptativo às condições de clima da região semi-árida do Nordeste brasileiro e a caracteriza como espécie pioneira. Jatropha curcas L., comumente denominada de “pinhão manso” em, praticamente, todo território brasileiro, é uma espécie de planta decídua, originária, provavelmente, da América do Sul (semi-árido brasileiro) e da África, e pertence à família euphorbiaceae. Para alguns autores a sua origem mais provável é a América Central e o México. A Fazenda Tamanduá tem investido há, aproximadamente, três anos em pesquisas com o pinhão manso (Jatropha curcas) na região semi-árida do Nordeste brasileiro como alternativa à mamoneira na produção de biodiesel.

5.6 – Exemplo de produtividade do pinhão manso

Image Uma das matrizes selecionadas destacada pelo empresário Pierre Landolt

 

 


 

5.7 – Spirulina

Image Os primeiros testes de uso foram realizados com bezerros na hora do desmame, aplicando um protocolo científico elaborado pelo Professor Fernando Borja dos Santos, da Faculdade de Veterinária da UFCG, com resultados muito animadores. O resultado das análises microbiológicas demorou, mas chegou e comprovou a alta qualidade da spirulina “made in Fazenda Tamanduá”. Uma experiência de sucesso para um alimento excepcional que precisa agora ser disponibilizado para a alimentação humana, depois de cumprir as exigências legais em vigor. Há solicitação para se revender 10 toneladas para a Europa.

5.8 – Faveleira sem espinho

Image Graças aos bons contatos com o Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Campina Grande, sediado em Patos, apareceu uma oportunidade muito original: o plantio de faveleira (Cnidosculus phyllacanthus) inerme, sem espinho, dito de maneira mais vulgar, seguindo os trabalhos dos professores Olaf Andreas Bakke e Eder Ferreira Arriel.
De fato, dentre as espécies florestais ocorrentes na Caatinga nordestina, sobressai-se a faveleira pela sua rusticidade. As suas folhas maduras e a sua casca servem de forragem aos caprinos, ovinos e asininos, e as suas sementes são consumidas pelos animais de criação, no campo, e pelo homem, sob a forma de óleo e farinha rica em minerais e proteína.

5.9 – Frutas desidratadas

Image Atualmente é crescente a procura de frutas desidratadas por vários fatores: Conservação do produto e de suas características organolépticas por um período bem superior a sua forma in natura, fácil armazenamento e maior vida útil de prateleira, valor nutricional e pelo excelente sabor. Adotamos um plano de qualificação de pessoal, através de administração periódica de cursos e seminários sobre manipulação de alimentos associado às boas práticas de fabricação para estabelecimentos industriais. Para o processo de secagem utiliza-se secador altamente sofisticado, com capacidade de 700 kg através de desidratação em circuito fechado possibilitando a alternância de temperaturas especiais (utilização de ciclos: ciclo 1 e 2, quente e quente/frio, consecutivamente) resultando num produto de excelente qualidade.

6 – Conclusão

O empresário Pierre Landolt mencionou também ser um acadêmico entregando a equipe um folder da Academia Nacional de Agricultura, vinculada à Sociedade Rural Brasileira. Mostrou-se sensibilizado com a visita e se prontificou a realizar uma palestra na Academia Pernambucana de Ciência Agronômica a respeito do seu notável empreendimento no semi-árido paraibano.
Falou por telefone com representantes da Academia Nacional de Agricultura mencionando a importância da visita da equipe de Pernambuco e cobrando maior entendimento entre as diversas entidades que poderão juntas, reivindicar maior apoio para a agricultura, em especial para iniciativas pioneiras no desenvolvimento sustentável da economia rural. A Academia ficou de enviar material para conhecimento da sua atuação desde a sua fundação ocorrida no dia 24 de novembro de 2003.

* Relatório da visita realizada pelo Acadêmico Fernando Chaves Lins à Fazenda Tamanduá, situada no Município de Santa Terezinha, próximo a cidade de Patos – PB, apresentado à Academia Pernambucana de Ciência Agronômica.
** Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, na Turma de 1955. Dentre as diversas funções exercidas destacam-se a de Presidente da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA/PE, no período de 1979 a 1980 e Secretário Adjunto da Secretaria de Agricultura, no período de 1988 a 1989. Coordenou o Projeto de Capacitação Participativa da FAO/MA/SPRR, no período de 2000 a 2001. Publicou diversos trabalhos científicos, dentre os quais se destacam: “Desempenho da economia regional do Nordeste – A problemática da atividade agroindustrial do algodão do Nordeste – SUDENE/1977”; "Missão na Terra do Sol" publicado em 2002. Seu livro mais recente, intitulado "Por céus nunca d'antes navegados", editado pela Universidade Federal de Pernambuco e Prefeitura do Recife em 2006, homenageia Santos-Dumont e destaca as atividades desenvolvidas por diversas entidades para restauração da Torre do Jiquiá, onde atracavam os dirigíveis na década de trinta. (
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